
Em seus discursos em solo brasileiro, Obama insistiu nos laços de amizade entre Brasil e Estados Unidos, destacando duas democracias fortes e estáveis, que juntas podem ter mais ganhos mútuos, tanto no aspecto político, quanto no comercial. Esta parte do discurso também foi uma forma de ‘’alfinetar’’ as ditaduras do Mundo Árabe, que se encontram em extrema instabilidade. O fato é que os americanos sabem que nesta nova ordem mundial (intensificada após a crise econômica), a hegemonia americana fica cada vez mais distante e para um maior equilíbrio de poder para onde o mundo caminha, o apoio do Brasil, assim como de outros países emergentes, é essencial. Os EUA passaram a depender mais do Brasil, de nossas ações, de nossas políticas. Assim como o Brasil, que há muitos anos depende dos americanos, cada vez depende menos. A posição de nossos governantes sobre a visita é de apreço, e vontade recíproca de ampliar ainda mais a relação entre os dois países. Mas a intenção de Dilma também é de pressionar cada vez mais Obama a aceitar a entrada do Brasil no conselho de segurança da ONU, o que aumentaria ainda mais a importância e o respeito mundial pelo Brasil, além do aumento substancial de força política internacional que ocorreria com nosso país. Obama não se aprofundou nesta questão da entrada do Brasil no conselho de segurança da ONU durante sua estadia em território brasileiro.
A vinda do presidente americano ilustra o aumento significativo da importância do Brasil para os Estados Unidos, e para o mundo de maneira geral. Ilustra também o ‘reconhecimento’ por parte dos EUA, de que sem as potências emergentes como parceiras, eles terão muitos problemas para conseguir se manter como uma das principais lideranças globais nesta multipolaridade em que o mundo se encontra.
Texto de Renato Carvalho.
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