quarta-feira, 13 de abril de 2011

Crise na Costa do Marfim - Entenda a situação.

O novo Presidente da Costa do Marfim, Assalene Outtara.


Ainda em meio á tiroteios e explosões de bombas, o Presidente da Costa do Marfim, Alassane Outtara prometeu nesta terça feira, restaurar a segurança e a prosperidade do país depois de quatro meses de guerra civil. Segundo suas palavras: “Eu digo aos meus compatriotas, a Costa do Marfim sairá desta crise em poucos meses, acreditem em mim. Ainda estamos em uma situação delicada, precisamos garantir a segurança do país, principalmente Abidjã. Eu farei o possível para que todos possam viver com segurança". Além disto, o Presidente também afirmou que criará um exército nacional a fim de dar fim nas milícias pró-Gbagbo que ainda promovem tiroteios na região.

Este último ponto leva em consideração que, apesar do ex-presidente Laurrence Gbagbo ter sido deposto e aprisionado em um hotel, seus seguidores continuam lutando. Gbagbo foi capturado após uma missão militar invadir seu bunker e o aprisioná-lo, junto com sua família e mais 50 seguidores próximos. O ex-presidente seguirá rumo ao norte do país onde ficará sob a custódia das Nações Unidas.


Entendendo a crise na Costa do Marfim

O ex-presidente Gbagbo chegou ao poder na Costa do Marfim em 2000 e desde então sempre postergou as eleições democráticas no país. Uma eleição presidencial em novembro de 2008 declarou Outtara vencedor, mas Gbagbo declarou que os votos na parte norte do país foram fraudados, apesar das Nações Unidas declarar que não houve irregularidades nas eleições. Desde então, a Comunidade Internacional, incluindo os EUA e a União Européia, a União Africana e a ECOWAS (Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano) reconhecem a vitória de Outtara e pedem para que Gbagbo deixe o poder. A situação piorou já que as sanções impostas pelas Nações Unidas ao ex-presidente começou a enfraquecer a economia do país, dando margem para que Outtara reinvidicasse seu lugar.


Velho Problema Africano

É cedo afirmar que a guerra civil cessará na Costa do Marfim. E isso pula para um problema mais enraizado, que é o envolvimento tribal nestas questões políticas. Na Costa do Marfim, sulistas e nortistas se definem como “nós” e “eles”. Com as migrações ocorrendo na região, acabou que as tribos do sul, católicas, se separou das tribos do norte, que são muçulmanos e cheio de imigrantes. Daí ocorreu a separação, não por questões religiosas, mas sim étnicas. O sul, pró Gbagbo, está agora na defensiva enquanto que o norte, pró Outtara, marcha rumo ao sul para garantir suas posições. Para se defenderem, os sulistas usaram bombas e snipers para retaliarem as forças invasoras (nortistas pró-Outtara). E assim prossegue mais uma guerra civil em mais um país africano.


As Nações Unidas no conflito

As Nações Unidas disse que as primeiras medidas a serem seguidas são em respeito à estabilização do país e a inicialização de um processo de reconciliação entre a população, do norte e do sul no caso.

O chefe da missão das Nações Unidas no país, Choi Young-jin, disse que há quatro desafios que necessitam de atenção imediata do novo Presidente Assalane Outtara. O primeiro seria a restauração da lei e da ordem no país, particularmente em Abdijã. O segundo desafio é prevenir qualquer tipo de abusos aos direitos humanos, especialmente no oeste do país onde já ouve casos do tipo. O terceiro desafio é a reconciliação nacional. O quarto desafio é o mais difícil, que é promover a reconstrução do país, que será feito através da promoção da educação, criação de empregos para os jovens além da erradicação da pobreza e desenvolvimento da economia.

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